Raul – O Início, O Fim e o Meio

Estreia: Raul – O Início, O Fim e o Meio

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Hoje temos uma estreia muito aguardada pela equipe do Cinemáticos e por muitos fãs de um ícone do rock nacional. Após quase um mês de seu lançamento oficial, Raul – O Início, O Fim e o Meio chega aos cinemas da região sul do país nesta sexta.

Confesso que na maioria das vezes que estreia uma biografia sobre um artista torço o nariz, pois tendem a ser parciais e normalmente possuem uma visão idealista de um fã sobre seu ídolo. No entanto, o longa consegue explorar o potencial de Raul Seixas não apenas como um ícone, mas como um personagem complexo, com seus altos e baixos, ideologias e vícios, uma pessoa de carne e osso. Isso comunica tanto aos mais fanáticos, quanto a quem não conhece tanto sobre a vida do cantor, aumentando as chances de obter uma boa bilheteria.

Conforme já adiantamos na prévia, o longa relata a carreira do cantor dos primórdios à decadência. Através de entrevistas de amigos (Caetano Veloso, Marcelo Nova e Paulo Colelho, este último mais parceiro que amigo) e uma excelente pesquisa de imagens de arquivo, entendemos melhor os desejos, o processo criativo e o estilo de vida de Raul Seixas.

Ao vermos as ilustrações que Raul fazia quando era criança, já percebemos sua necessidade de reconhecimento. Ele reproduzia vários posters de filmes em que se intitulava diretor e produtor ou se retratava como um artista conhecido no mundo todo. Em seguida, acompanhamos a rebeldia de sua adolescência quando se filiou ao Elvis Rock Club e se juntou à primeira banda, a Relâmpagos do Rock.

Uma das entrevistas mais desejadas pelo diretor Walter Carvalho foi a de Paulo Coelho. Percebemos  que existia uma forte rivalidade entre Paulo e Raul. Segundo o escritor, a convivência acabou transformando a relação deles em uma espécie de casamento sem sexo. Haviam períodos em que brigavam muito, achando que um estava tentando se mostrar superior ao outro. Sua entrevista realmente faz a diferença e dá um toque de humor ao filme principalmente na cena em que ele chama uma mosca que atrapalhava seu depoimento de Raul. “Não vou matar porque acho que é interessante”, afirma o escritor, mas em seguida dá um tapa no inseto e sorri para a câmera.

O filme também abrange a polêmica parceria de Raul, já em seus últimos anos de vida, e Marcelo Nova. As especulações sobre o vocalista do Camisa de Vênus ter se aproveitado do músico baiano são colocadas pela secretária e por Lena, ex-mulher de Raul. No entanto, amigos como Caetano Veloso, afirmam que nunca viram as coisas dessa maneira e achavam Nova uma pessoa muito nobre por estar retribuindo um favor. Dar os dois lados foi a melhor alternativa, pois permite que o espectador decida que partido tomar.

Um dos momentos mais interessantes do longa é quando vemos um depoimento de Raul afirmando que não queria ser classificado como um músico para classe A ou D. Ele sempre misturou sonoridades diferentes como rock ‘n’ roll e música popular. Seu objetivo era unicamente transmitir a mensagem a que se propôs. Isso é algo que se deve levar para todos os meios artísticos. Se você for verdadeiro, as pessoas entenderão o que você quer dizer, não importa qual seja o público.

A forma com que Walter Carvalho retratou a morte do cantor manteve o tom sutil de homenagem sem pender para a exploração. Querendo ou não, precisamos concordar com Marcelo Nova: Raul morreu de pé, aplaudido e com muitos admiradores. O que ele queria dizer foi entendido.

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