19 DE JUNHO: DIA DO CINEMA BRASILEIRO

Hoje o Cinema Brasileiro comemora 114 anos, desde que o cinegrafista italiano Afonso Segreto produziu o primeiro filme na Baía de Guanabara, em 1898. Embora o primeiro registro cinematográfico tenha sido feito por um estrangeiro, essa foi a deixa para promover a curiosidade entre os brasileiros que seguiram repetindo este gesto.Em homenagem a essa data, não poderíamos deixar de retomar os filmes que mais se destacaram em toda a história do cinema nacional. Para estudiosos e para o público em geral, seguem algumas dicas para prestigiar e entender melhor a nossa produção cinematográfica.

Filme: O Cangaceiro
Ano: 1953
Produzido pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, O Cangaceiro foi o primeiro filme brasileiro a participar do Festival de Cannes e obter repercussão internacional. A Vera Cruz também foi pioneira na tentativa de industrializar a produção brasileira dando valor aos bons roteiros e realizando projetos de diversos gêneros sem descuidar da estrutura necessária. O longa se destacou pela sua linguagem que se aproxima do western americano, sem deixar de tratar dos costumes daqui. Conta a história de Lampião (Milton Ribeiro) e seu bando de cangaceiros, que aterrorizavam o Nordeste e até hoje são figuras emblemáticas do imaginário popular.

Filme: Deus e o Diabo na Terra do Sol 
Ano: 1963
Mesmo com as mais árduas tentativas, o Cinema Brasileiro sempre teve de lidar com dificuldades financeiras. Nos anos 60, a situação não era nada boa, o que levou pequenos grupos de intelectuais a se unirem e continuarem produzindo seus filmes precariamente como uma forma de protesto. Influenciado por movimentos como o Neo-Realismo Italiano e a Nouvelle Vague Francesa, surgia o Cinema Novo, um movimento questionador que usava como a maior provocação a imagem de um cinema pobre, sujo, sem a qualidade técnica necessária. O maior representante foi Glauber Rocha e seu filme mais emblemático é Deus e o Diabo na Terra do Sol. O longa aborda a submissão do povo perante seus patrões e governantes, tendo apenas dois caminhos para percorrer: o religioso, que prega o pensamento de que uma vida melhor só é possível no paraíso; e o do cangaço, que promove a justiça pelas próprias mãos.

Filme: O Bandido da Luz Vermelha
Ano: 1968
O Cinema Novo criou uma linguagem que se diferenciou muito da utilizada nos filmes “fáceis”. O problema é que isso afastou os espectadores que compunham justo o público-alvo do movimento. Fazendo sátiras da chanchada e dos enlatados americanos, nasceu na Boca do Lixo de São Paulo, o Cinema Marginal, com temas incomuns e muito escracho. Reprimidos pela censura militar, poucos desses filmes chegaram aos cinemas, mas alguns foram fenômenos de bilheteria, entre eles O Bandido da Luz Vermelha. A obra dirigida por Rogério Sganzerla se baseia na história do famoso assaltante João Acácio Pereira da Costa (Paulo Villaça) que agia sempre acompanhado de uma lanterna vermelha, mantendo longos diálogos com suas vítimas e fugindo de forma ousada para gastar o dinheiro adquirido com extravagâncias. Através de uma narração policial sensacionalista, o filme faz críticas debochadas à imprensa, à polícia e aos sujeitos de classe média.

Filme: Dona Flor e Seus Dois Maridos
Ano: 1976
Nessa onda de Jorge Amado que está rolando na TV brasileira, uma ótima dica é o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos. Produzido pela Embrafilme, o projeto representa o auge do Cinema Brasileiro, tornando-se a maior bilheteria do país (mais de 10 milhões de espectadores) e permanecendo no posto até 2010 quando foi ultrapassado por Tropa de Elite 2. O filme conta a história de Dona Flor (Sônia Braga) que tem uma relação de amor e ódio com seu marido-problema, Vadinho (José Wilker). Como a vida boêmia não perdoa, o amor da protagonista morre precocemente e a deixa viúva e desiludida. Após um bom tempo, Flor resolve dar uma chance a Teodoro Madureira (Mauro Mendonça) e aceita se casar com o respeitável farmacêutico. No entanto, apesar de ser bem vista na sociedade, ela fica insatisfeita com o marido cheio de pudores. Com isso, começa a sentir muita falta do falecido e seu desejo é tão forte que materializa um fantasma de Vadinho que a acompanha em seus momentos de solidão. Dona Flor é um exemplo de direção, com belas referências de Luis Buñuel e conta com uma das cenas mais famosas do Cinema Brasileiro, embalada pela inesquecível música de Chico Buarque O Que Será.

Filme: Cidade de Deus
Ano: 2002
Após o ápice, o Cinema Brasileiro teve o seu declínio no governo Collor. O Programa Nacional de Desestatização encerrou toda a produção cinematográfica do país, prolongando-se até 1995 quando Carla Camuratti lançou a muito custo o seu Carlota Joaquina. Depois disso, o cinema nacional foi se reerguendo com uma dificuldade que se estende até os dias de hoje. Um dos filmes marcantes da chamada Retomada foi Cidade de Deus, responsável por recuperar a aprovação de público e crítica, uma meta tão almejada pelos cineastas atuais. O filme conta a história de Buscapé (Alexandre Rodrigues), um jovem pobre e negro que tenta encontrar uma alternativa para viver que não seja se juntar ao crime organizado. Ele estabelece uma carreira ao apostar em seu talento como fotógrafo e quando consegue trabalho em um jornal, passa a registrar a violência de seu cotidiano.

Montar esta lista foi bem difícil, pois são tantos títulos marcantes que é complicado escolher. Mas espero que tenha ajudado a entender melhor sobre o papel do cinema no nosso país e que passemos a produzir mais filmes nossos sobre nós mesmos.

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