Cannes: onde as mulheres não têm vez

O grupo feminista La Barbe publicou no dia 12 de maio o manifesto “Cannes 2012: um homem é um homem”. O documento, assinado por mais de 1.300 mulheres, entre elas cineastas e atrizes conhecidas, denuncia o descaso com que o Festival de Cannes trata o trabalho sério de cineastas.

No manifesto, a denúncia é clara: “O Festival de Cannes 2012 permite que Wes, Jacques, Leos, David Lee, Andrew, Matteo, Michael, John, Im Hong, Abbas, Ken, Sergei, Cristian, Yousry, Jeff, Alain, Carlos, Walter Ulrich, Thomas demonstrem mais uma vez que “os homens amam a profundidade nas mulheres, mas somente em seu decote”. A frase faz referência direta ao ano em que o trabalho de 22 homens foram selecionados para concorrer aos prêmios da 63ª edição do festival e que, entre as figuras homenageadas nos filmes está Marylin Monroe. Ou seja, nada do que foi elaborado pelo esforço de mulheres selecionado; mas Marylin Monroe, um símbolo da sensualidade está entre as figuras homenageadas do evento.

Somente uma vez, em 1993, o Festival de Cannes “escorregou” em seus critérios, premiando a diretora Jane Campion.

O tratamento dado em Cannes às mulheres não é excepcional. Todas as esferas da sociedade colocam a mulher em posição desfavorável, sendo subjugadas e exploradas; na grande maioria das vezes, tendo sua vida reduzida ao lar, à família.

As mulheres, porém, encontram seus meios de resistir e se opor a essa ordem. O cinema é também uma ferramenta de denúncia da opressão da mulher. Os primeiros filmes que tratam de estupro, por exemplo, foram feitos por mulheres. Na França, os filmes feitos por mulheres são bastante divulgados, porém, representam somente 12% da produção nacional anual.

O manifesto (veja http://labarbeacannes.blogspot.fr/) ainda expõe a selvageria masculina de Cannes, em tom sarcástico, “em 1976, as nádegas nuas de uma mulher foram homenageadas. Do que se queixam as nossas musas? Elas são celebrados por suas qualidades essenciais: a beleza, graça, leveza… Vamos evitá-las dos horrores da direção de uma equipe de filmagem, poupá-las do confronto doloroso com as limitações técnicas de um platô”. E concluem: “Às mulheres, bobinas de costura; aos homens, aquelas dos Irmãos Lumière”.

O diretor geral do Festival de Cannes, Thierry Frémaux, declarou à imprensa nessa segunda-feira (14), “Nunca vamos escolher um filme simplesmente por ter sido feito por uma mulher”. Diante da grande repercussão que o manifesto causou, Frémaux procura desmoralizar a questão das mulheres. “A causa feminista deve ser defendida além de Cannes, que é uma ilustração do que é o cinema atual. Acusar o festival não resolverá estritamente nada”.

De fato, essa situação não é exclusiva de Cannes, mas é lá que é mais sentida por essas mulheres, que atuam no ramo e onde esse tipo de problema aparece de maneira mais camuflada, recoberto de grande demagogia.

fonte: http://advivo.com.br/

Concorda? Assine a petição online: https://www.change.org/petitions/cannes-film-festival-where-are-the-women-directors#

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